É noite de eclipse lunar, o vento frio banha a todos, poucas nuvens no céu e um silêncio no ar.
A noite monótona permite que a moça vá à varanda e veja a vida passar, quando nota na casa ao lado, um rapaz com um violão.
O rapaz está sentado na cama, o seu quarto é apertado e um pouco bagunçado, a lâmpada que ilumina o quarto é de uma luz amarelada e incandescente, o que destaca ainda mais aquele ser unido ao violão, como se os dois fossem os únicos a habitar o planeta.
A moça parece analisá-lo por inteiro, olha os movimentos e ações. O rapaz está em transe, toca o violão, os dedos correm pelas cordas, seus olhos fechados, sente a música dentro de si.
A moça começa a sentir os dedos do rapaz correrem pelo seu corpo, a música penetra-lhe a alma.
O rapaz inicia uma serenata involuntária. A moça sente que as canções são cantadas dentro dela. A música corre e viaja pelo corpo de ambos, os beija e abraça.
A noite fica mais apaixonante e o ar cálido e cheiroso alisa as suas peles. Corre noite à dentro e os dois sentem-se enamorados. Eles não estão mais sozinhos.
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