terça-feira, junho 14, 2011

Dama na janela


Na pequena casa de pau-a-pique há uma dama vestida num simples e vistoso vestido branco. Senta-se na janela da sala, olha para fora e suspira. Seu olhar vago procura algo no horizonte, algo que talvez
nunca descubra se decerto irá encontrar.
Os móveis da casa são simples e empoeirados. A sala possui apenas uma cadeira e uma estante qual guarda alguns livros velhos e desencapados. O chão de barro demonstra a natureza simples daquele ambiente. Na cozinha há apenas uma mesa, uma cadeira e uma pia. Sobre a mesa encontram-se algumas migalhas de pão, um copo d’água e uma jarra de barro.
O quarto, recanto humilde e noturno da dama, comporta uma cama de madeira antiga e uma velha penteadeira.
A eletricidade é inexistente na casa. A única luz que invade o lar é proveniente da janela da sala que reflete a sombra da jovem no chão.
A fisionomia, embora triste, mostra no olhar um sinal de esperança. Seus traços já demarcados muito menos pela idade que pelo isolamento e história de vida são firmes e rudes ao logo do rosto.
A noite cai, o leve vento do sereno alisa os cabelos castigados pelo sol, a casa encontra-se escura, apenas a sala reflete uma luz prata, a qual insiste em refletir no chão da sala uma sombra de alguém que queria poder voar, só por um instante.