Na noite que nasci, estava presa no meu quarto. Escutei um murmúrio. Passos ritmados e sons de cristais tilintando.
Resolvi sair do meu quarto, atravessei um corredor escuro, passei de mansinho por entre quartos, desci uma velha escada de madeira, a qual chiava assombrosamente.
Saí do meu mundo e fui buscar o mundo de alguém. Por alguns segundos, pensei em me deter, mas nada foi feito.
Durante o caminho, não via quase nada, apenas um castelo no fim da estrada.
A cor do castelo contrastava com a cor da minha casa, a cor da minha alma. O castelo era de um amarelo esplêndido, enquanto minha casa era de um branco muito desbotado.
Cheguei no castelo, o qual me deixou muito pequena. Sua porta grande e pesada, dificultou a minha entrada, porém consegui abrir.
O castelo era maravilhoso. Os móveis eram de primeira, o chão reluzia como espelho, os detalhes da parede eram bordados a ouro. Havia quadros que retratavam as mais belas coisas do mundo.
Continuei seguindo o barulho que se escondia dentro daquele imenso castelo.
Entrei no salão de festas, vi príncipes e princesas. As roupas eram feitas das matérias mais nobres. Bebiam em taças de cristais e possuíam belas jóias.
Olhando aquele salão cheio de vida, pensei em voltar ao meu quarto. Fiquei em meu dilema durante algum tempo até que senti algo.
Olhei e notei uma mão na minha cintura e outra estendida na minha frente.
“Me concede essa dança?”
Senti um arrepio, tudo em mim era sentimento, sensações. Busquei a razão, mas não encontrei, já tinha perdido.
Quando dei por mim, estava no meio do salão. Já não lembrava do quarto.
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