segunda-feira, dezembro 27, 2010

Recomendo

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!

Luís Fernando Veríssimo

Desatino

Nunca senti a força do verão.
Acostumei-me as farpas da solidão.
Dores amenizadas com exatidão,
Embora aliviadas, nunca cessarão.
Sei que sou forte como aço.
Transformo em ouro tudo que faço.
Finjo ter vivido outra vida.
Tento esconder a dor que não finda.
Mágoas e tristezas se dispersarão.
Olharei o universo em sua imensidão
E saberei que meus feitos todos amarão.
Amei o mundo em cada pedaço.
Mas tentei atar um laço,
Que me prendesse lá no espaço.

Aprendi a viver

Na noite que nasci, estava presa no meu quarto. Escutei um murmúrio. Passos ritmados e sons de cristais tilintando.
Resolvi sair do meu quarto, atravessei um corredor escuro, passei de mansinho por entre quartos, desci uma velha escada de madeira, a qual chiava assombrosamente.
Saí do meu mundo e fui buscar o mundo de alguém. Por alguns segundos, pensei em me deter, mas nada foi feito.
Durante o caminho, não via quase nada, apenas um castelo no fim da estrada.
A cor do castelo contrastava com a cor da minha casa, a cor da minha alma. O castelo era de um amarelo esplêndido, enquanto minha casa era de um branco muito desbotado.
Cheguei no castelo, o qual me deixou muito pequena. Sua porta grande e pesada, dificultou a minha entrada, porém consegui abrir.
O castelo era maravilhoso. Os móveis eram de primeira, o chão reluzia como espelho, os detalhes da parede eram bordados a ouro. Havia quadros que retratavam as mais belas coisas do mundo.
Continuei seguindo o barulho que se escondia dentro daquele imenso castelo.
Entrei no salão de festas, vi príncipes e princesas. As roupas eram feitas das matérias mais nobres. Bebiam em taças de cristais e possuíam belas jóias.
Olhando aquele salão cheio de vida, pensei em voltar ao meu quarto. Fiquei em meu dilema durante algum tempo até que senti algo.
Olhei e notei uma mão na minha cintura e outra estendida na minha frente.
“Me concede essa dança?”
Senti um arrepio, tudo em mim era sentimento, sensações. Busquei a razão, mas não encontrei, já tinha perdido.
Quando dei por mim, estava no meio do salão. Já não lembrava do quarto.

sábado, dezembro 25, 2010

Aconteceu comigo nesse Natal ~~~>

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Selinho

Esse é meu primeiro selinho!!! *---*


terça-feira, dezembro 21, 2010

Selinhos do blog: Clarice Lispector

Sigo (anonimamente) esse blog e gosto muito de ficar horas por lá. Vale a pena e recomendo!
Aqui estão os selinhos disponíveis no blog!

Selos  

   

Janela dos olhos

 É noite de eclipse lunar, o vento frio banha a todos, poucas nuvens no céu e um silêncio no ar.
A noite monótona permite que a moça vá à varanda e veja a vida passar, quando nota na casa ao lado, um rapaz com um violão.
 O rapaz está sentado na cama, o seu quarto é apertado e um pouco bagunçado, a lâmpada que ilumina o quarto é de uma luz amarelada e incandescente, o que destaca ainda mais aquele ser unido ao violão, como se os dois fossem os únicos a habitar o planeta.
 A moça parece analisá-lo por inteiro, olha os movimentos e ações. O rapaz está em transe, toca o violão, os dedos correm pelas cordas, seus olhos fechados, sente a música dentro de si.
 A moça começa a sentir os dedos do rapaz correrem pelo seu corpo, a música penetra-lhe a alma.
 O rapaz inicia uma serenata involuntária. A moça sente que as canções são cantadas dentro dela. A música corre e viaja pelo corpo de ambos, os beija e abraça.
 A noite fica mais apaixonante e o ar cálido e cheiroso alisa as suas peles. Corre noite à dentro e os dois sentem-se enamorados. Eles não estão mais sozinhos.

Insana

         As horas correm.
 O relógio faz horas;
                Todas as horas.
    Ora! Isso me apavora!
           Quero viver.
      Quero morrer.
                      Sinto-me velha.
    Sinto-me jovem.
        Não sei o que fazer.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Recomendo

                                  Felicidade clandestina

                                        Clarice Lispector

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Em breve, postarei novas coisinhas! Estou elaborando alguns selinhos, etc.

Comprando sem saber

 João Frederico Cardoso é funcionário público de traços finos, roupas sociais e óculos na ponta do nariz. 
 João é daqueles que adoram pechinchar mercadorias e sempre compra aquilo que considera útil.
 Na Feira do Pedregoso, João comprava vários produtos baratos, não ligava por serem de segunda mão.
 Um dia, encasquetou com um objeto bastante peculiar, que estava na barraquinha mais singela da feira.
 Com os olhos arregalados, esticando o pescoço o máximo que podia e aproximando os óculos dos olhos, João se esforçava para descobrir a serventia daquele objeto.
 Nesse momento, chega o dono da barraca.
 -Ah, pelo visto, o senhor gostou da mercadoria! - falou o vendedor todo entusiasmado com o novo cliente.
 -Sim... É... Que objeto é esse? - perguntou João sem querer demonstrar muito interesse.
 -É aquele da televisão. Você sabe qual é, né?
 -Um... Acho que devo saber.
 -O senhor não vai se arrepender de comprar esse danadinho. Ele é muito útil! Eu o encontrei perto da minha casa, mas não se preocupe que ainda estava lacrado. Acho que alguém deixou cair.
 -Realmente ele parece ser bem útil! Quanto custa?
 -Uma ninharia, meu senhor. Custa apenas vinte reais!
 João não quis mais saber do que se tratava aquele objeto de metal. Por uma bagatela daquela, só podia ser vantagem levar o produto.
 João saiu todo animado, com o objeto numa pequena sacola de plástico.
 No meio do caminho, encontrou um amigo de trabalho e foi logo mostrar o que acabara de adquirir.
 -Carlos olha o que comprei, cara! - falou todo animado.
 -Um... Que interessante... Um... E você realmente curte esse tipo de coisa?
 -É... Acho que sim. Mas, você sabe pra que serve? - perguntou João.
 -Não é aquilo do comercial de televisão? - disse Carlos.
 -É, acho que sim. Foi o que o vendedor falou.
 -Bom, cara, se for o que estou pensando, esse é um daqueles objetos que a mulher usa.
 -A mulher usa? - questionou João intrigado e já aflito.
 -Isso! Como é mesmo o nome? Um... Acho que é curvex!    

ps.: Homens não entendem nada de mulheres! #fato                       

domingo, dezembro 12, 2010

terça-feira, dezembro 07, 2010

Festa

 No Morro do Samba havia festa todo dia...

 Pedro, um rapaz de classe média e que odiava samba, era apaixonado por Rosa, a qual morava no morro.
 Época de carnaval, todos os sambistas se reuniam, tocavam e cantavam até o sol raiar.
 Rosa convidou Pedro para participar da roda de samba do dia seguinte. Pedro, como ocultava seu pavor por samba e seu amor por Rosa, aceitou na hora.
 No dia marcado, o morro estava enfeitado, das lajes subiam fumaça com cheiro de carne, copos com cerveja corriam pelas vielas.
 Os moradores fortes e com sorrisos largos se movimentavam freneticamente. A coisa melhorava quando anoitecia, o tempo esfriava e assim, aumentava o samba no pé.
 Pedro, com traje branco e colar de prata, subiu o morro, o suor escorrendo pelo rosto e o semblante de desagrado.
 Após errar de viela por três vezes, Pedro finalmente encontrou a laje certa. Lá estava Rosa, mulata esperta e sorridente, logo, o puxou para a roda. Ele que não sabia sambar, se constrangeu e alegou estar cansado.
 Buscou um local isolado onde pudesse apenas observar a mulata, mas naquele morro era impossível encontrar espaço vago.
 Chegou o final da noite e Pedro se sentiu obrigado a participar daquela festa. Quando se deu conta, todos o rodeavam e batiam palma, como se esperassem pelos movimentos do rapaz.
 Com um impulso e uma força sobrenatural, Pedro mandou Rosa entrar na roda e os dois começaram a sambar.
 Com o coração pulsando mais forte e o sangue mais quente que o normal, o jovem notou que estava vivendo a maior emoção de sua vida.
 O dia amanheceu, as pessoas saíram das lajes, os pandeiros e pauzinhos ficaram mudos. Só uma laje permanecia viva.
 Pedro e Rosa pareciam programados para sambar até o momento em que caíram no chão, mergulhados em amor.
 No final da tarde, o garoto saiu do morro, sabendo que tinha o coração mais sambista do mundo.

Viva

   Abra a porta, entre na sala.
   Cuidado! Não olhe nos olhos.
   Procure ficar calado.
   Nunca faça bagunça.
   Não sinta o perfume que exala.
   Não se preocupe com os outros.
   Se mantenha isolado.
   Nunca vire criança.
   Tenha fé, pois tudo melhora.
   Você lembra daquele retrato?
   Lembra daquela moldura?
   Sei que não, pois tudo esquece.
   Não tarda chega a hora.
   Você não será o mesmo do retrato.
   Saiba que pra sempre nada dura
   e numa hora, você envelhece.



sexta-feira, dezembro 03, 2010

Recomendo

   Arcadismo ♥                                                
   CASA NO CAMPO
Elis Regina
 Composição: Zé Rodrix e Tavitompo

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

MUITO ANTIGO!!!

Fui olhar a TV e cabei vendo você.
Não aguentei de angustia fiquei.
Meu coração você roubou, com seu amor arrebatador.
Fui olhar o mar e pensei como vou amar uma pessoa que nunca trisquei?
Hoje, lembrei que seu amor nunca terei.
Ao chorar pensei como será uma pessoa sem amar.
Nem que seja apenas fantasia, quem sabe posso amá-lo um dia!


p.s.: Mexendo em cadernos antigos, encontrei isso aí!
Achei legal postar.
Eu era uma pirralha de 13 anos. *----*
Ah, não posso esquecer de falar que nessa época...
Eu era simplesmente apaixonada pelo ator Orlando Bloom e está aí o motivo dessas palavrinhas!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Tango Real

As abelhas unidas produzem mel.
As operárias vivem a trabalhar.
Viajam dispersas no céu,
Espalham o pólen no ar.
O que era mato vira manto.
Manto multicolor e cheiroso.
Enfeitam com flores o campo
E fazem mel saboroso.
Fazem no ar desenhos.
Sentem dos seres carinhos.
Transformam lugares em sonhos.
As abelhas presenteiam a natureza.
Sabem construir uma fortaleza.
As abelhas provocam doçura e beleza.

O Mistério

 Havia um grande mistério na casa de Juninho. Todas as meias da família estavam sumindo. Era um ladrão de meias de alta periculosidade? Todos se questionavam.
 Intrigados com o acontecido, Flávia, mãe de Juninho, resolveu convocar uma reunião extraordinária com os membros de sua família.
- Alguém está pegando as meias dessa casa e quero saber quem é e qual o motivo - disse Flávia.
 Todos se olhavam, buscando uma resposta.
- Será que preciso perguntar duas vezes? - falou Flávia. - Já que ninguém quer falar, eu serei mais direta. Juninho, você tem algo a dizer?
 Paulo, desconfiado, olhava para o filho.
-Eu? Claro que não! Confesso que já peguei uma meia ou outra pra fazer fantoche, mas definitivamente, não!
 Paulo e Flávia suspiraram aliviados por não ser o filho o autor daquela confusão.
- Bom, não adianta suspeitar de mim, porque não fui eu. E já que não foi ninguém de casa, quem pode ter sido? Meias não têm valor algum. Quem iria roubá-las? - indagou Paulo.
-Não sei! É melhor deixarmos isso pra lá!- respondeu Flávia
 Juninho era muito peralta. Nunca deixaria um mistério como esse, sem fazer uma boa investigação. Ele descobriu que todas as meias que sumiram eram sujas.
-Quem quer meia com chulé?- Questionou-se.
 Como não obteve muito êxito e as meias pararam de sumir, Juninho parou com a investigação.
 Um dia, jogando botão no quartinho dos fundos, percebeu um buraco na parede. Ele colocou os olhos no pequeno buraco e viu algumas meias empoeiradas.
Juninho pensou em contar aos pais, porém ficou com medo que eles matassem o pequeno bichinho que alí habitava.
 Às vezes uma meia ou outra ainda some e Juninho frequentemente visita o quartinho, levando comida para aquele ser inocente e indefeso.