No Morro do Samba havia festa todo dia...
Pedro, um rapaz de classe média e que odiava samba, era apaixonado por Rosa, a qual morava no morro.
Época de carnaval, todos os sambistas se reuniam, tocavam e cantavam até o sol raiar.
Rosa convidou Pedro para participar da roda de samba do dia seguinte. Pedro, como ocultava seu pavor por samba e seu amor por Rosa, aceitou na hora.
No dia marcado, o morro estava enfeitado, das lajes subiam fumaça com cheiro de carne, copos com cerveja corriam pelas vielas.
Os moradores fortes e com sorrisos largos se movimentavam freneticamente. A coisa melhorava quando anoitecia, o tempo esfriava e assim, aumentava o samba no pé.
Pedro, com traje branco e colar de prata, subiu o morro, o suor escorrendo pelo rosto e o semblante de desagrado.
Após errar de viela por três vezes, Pedro finalmente encontrou a laje certa. Lá estava Rosa, mulata esperta e sorridente, logo, o puxou para a roda. Ele que não sabia sambar, se constrangeu e alegou estar cansado.
Buscou um local isolado onde pudesse apenas observar a mulata, mas naquele morro era impossível encontrar espaço vago.
Chegou o final da noite e Pedro se sentiu obrigado a participar daquela festa. Quando se deu conta, todos o rodeavam e batiam palma, como se esperassem pelos movimentos do rapaz.
Com um impulso e uma força sobrenatural, Pedro mandou Rosa entrar na roda e os dois começaram a sambar.
Com o coração pulsando mais forte e o sangue mais quente que o normal, o jovem notou que estava vivendo a maior emoção de sua vida.
O dia amanheceu, as pessoas saíram das lajes, os pandeiros e pauzinhos ficaram mudos. Só uma laje permanecia viva.
Pedro e Rosa pareciam programados para sambar até o momento em que caíram no chão, mergulhados em amor.
No final da tarde, o garoto saiu do morro, sabendo que tinha o coração mais sambista do mundo.

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