segunda-feira, novembro 29, 2010

Leio e recomendo

Vou sempre postar coisas que gosto, como livros,poemas, contos...
Pra começar, vou falar de um livro que amo e de um poeta que dispensa comentários.
O livro chama-se Sentimento do Mundo do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Ótimo para quem gosta de poemas.
Bom, não pretendo ser nenhuma crítica literária, o que quero é apenas mostrar o que amo ler.
Para dar um gostinho em quem ainda não leu, vou postar o poema título da obra.

                      Tenho apenas duas mãos
                      e o sentimento do mundo,
                      mas estou cheio de escravos,
                      minhas lembranças escorrem
                      e o corpo transige
                      na confluência do amor.

                      Quando me levantar, o céu
                      estará morto e saqueado,
                      eu mesmo estarei morto,
                      morto meu desejo, morto
                      o pântano sem acordes.

                     Os camaradas não disseram
                     que havia uma guerra
                     e era necessário
                     trazer fogo e alimento.
                     Sinto-me disperso,
                     anterior a fronteiras,
                     humildemente vos peço
                     que me perdoeis.

                     Quando os corpos passarem,
                     eu ficarei sozinho
                     desfiando a recordação
                     do sineiro, da viúva e do microscopista
                     que habitavam a barraca
                     e não foram encontrados
                     ao amanhecer

                     esse amanhecer
                     mais noite que a noite.

domingo, novembro 28, 2010

A fofoqueira

  Dona Marisa é mãe de família, exímia dona do lar e muito comprometida com a vida alheia.
Como já era de se esperar, quando há uma fofoqueira por perto, há sempre notícias fresquinhas correndo por aí.
Dona Marisa conta com suas amigas para a transmissão de informações, como a Cleonice, que um dia foi contar à Marisa algo muito importante.
-Sabe o que aconteceu com o Pedro? O filho da Betânia?- Pergunta Cleonice.
-Sei não, mulher. Mas é melhor você começar a me contar.
-Tão dizendo por aí que ele engravidou uma mocinha. Me contaram que a família da garota ainda não sabe. Quero só ver quando a bomba estourar!
-Hun... Eu nunca fui com a cara daquele moleque. Se fosse filho meu, daria uma surra de cipó. Errada também foi essa biscate que caiu na lábia do malandro.
-Bom, o erro não sei de quem foi. Só sei que estou com muita pena da Betânica, coitada. Criou o único filho com tanto amor e carinho. Agora, terá mais uma responsabilidade com a chegada dessa criança.
-Pena? Eu na tenho um pingo de pena! Acho que cada um deve cuidar dos seus. Acho também que cada um colhe o que planta. Ela não soube criar o filho direito e ta aí o resultado!
  Duas semanas depois, Marisa nota que a filha anda muito estranha.
-Mãe, preciso contar uma coisa.
-O quê, minha filha?
-Estou grávida!
-Como assim? Você está de brincadeira não é mesmo?
-Não, mãe. Foi um descuido, mas me sinto preparada pra ser mãe solteira.
-Quem é o desgraçado do pai?
-É o Pedro. A senhora conhece?
  Marisa que achava sua família um exemplo de perfeição, nunca imaginou que estaria envolvida numa história como essa. Marisa que se achava no direito de apontar os defeito e problemas alheios, notou que faria parte da maior fofoca já contada por suas amigas.

Liberte-se

               A gaiola é de vidro
           A pomba vive engaiolada
       “Acho que nunca vou sair da gaiola”
      Diz a mente da pomba
   “Vou sair da gaiola!”
     Diz o coração da pomba.
      Então, a pomba reúne toda a força na ponta do bico.
       Com um único ataque, a pombinha consegue rachar o vidro da gaiola.
         A pombinha voa em diração à liberdade.
          “Que bom pombinha! Você finalmente escutou a verdadeira voz da razão!”
             Fala a vida.

Carinho

O vento passa pela fazenda
Faz o moinho chiar
E o sino balançar

O vento chega de mansinho
Faz raiar o dia
E o sol acordar

Aí vento, como tú es manhoso
Sabes que te sigo e sinto
Não me faça chorar.

Cor

O menino mulato não conhece o preconceito
Não porque nunca sofreu
Mas porque não conhece o conceito

O menino mulato é chamado de preto
Sob olhares de superioridade
Daqueles que o põe defeito

O menino vive dentro de seu mundo perfeito
Não vê que seu país é racista
E cheio de preconceito


p.s.: Escrevi no dia da Conciência Negra. Pensei em não postar, mas depois mudei de ideia. Acho que ainda existem pessoas tolas e cheias de preconceitos.

domingo, novembro 21, 2010

Homenagem ao Cantinho



Essa blusinha combina com o blog! *---*

Quimera

  As luzes do céu me trazem esperança.
  Um novo dia está próximo
  E a saudade me alcança.
  Pensar em você é meu ócio.

  Sonho com contos de fadas.
  Abraço de vez os meus sonhos,
  Pois da realidade estou enfadada
  E não me oponho aos encantos.

  Querido arco-íris de amor
  Pinta e borda minha vida,
  Desenha uma linda flor
  Para que a luz não finda.

  Quero ter sonhos de criança
  Sentir tudo com liberdade.
  Não ter mais lembrança,
  Não quero mais a realidade.

Aparências

No canto esquerdo do restaurante, encontra-se a família de Júlio. Ele tem o ar depressivo e pacato. A mulher aparenta ser velha, os olhos cansados e com rugas no rosto. O filho é pálido e triste.
Adentra o estabelecimento um casal, ostentando uma nítida felicidade e ar de sucesso. Eles vão de encontro à família de Júlio.
Ao avistar os amigos, Júlio cutuca a mulher e o filho. Abruptamente mudam de aparência.
-Olá! Como vão?- pergunta o amigo.
-Vamos bem!
- E o trabalho, Júlio?
-O trabalho vai muito bem, obrigado! E o seu?
-Acabei de fechar um contrato milionário! Soube que as coisas não vão muito bem na sua empresa. É verdade?
-Como não vão bem? Estou cheio de contratos. Posso dizer com toda certeza que estou no meu melhor momento profissional.
-Que bom que sua empresa está trazendo lucros. Nunca acreditei em boatos e se você fala que está tudo bem, eu acredito.
-Pois é... Estou até pensando em levar a família para conhecer a Disney nas próximas férias.
Há alguns segundos de silêncio. As famílias olham-se constrangidas até o amigo de Júlio tomar uma atitude.
-Vamos deixá-los em paz. Reservamos uma mesa e vamos para lá. Foi muito bom ver vocês até mais!
-Foi muito bom ver vocês também! Qualquer dia desses marcamos um jantar na minha casa.
O casal sai. Observa-se uma transformação no semblante da família. O sorriso no rosto desaparece e volta à velha melancolia.
-E aí mulher? Você tem o dinheiro para pagar a conta?- pergunta Júlio

    O velho encanto da escrita nunca se acaba.
    Como é bom ver a paixão entre o lápis e o papel.
    Paixão épica e amiga, sem interesse e sem falsidade.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Absinto

    Vastas flores, vastas flores.
    Não me culpem por exalarem seu cheiro.
    A vida, que é veneno, é ela a culpada.

    A nuvem negra de fúria,
    Alguns dias nos cobre e nos condena.
    Nos ordena sentir dores

    Viajamos na estrada da transformação.
    Em uns dias somos flores
    Outros dias só somos dores

    Na busca incessante pelo destino incerto.
    Construímos amores e com eles somos flores
    E fugimos da nuvem que nos transforma em dores.

terça-feira, novembro 16, 2010

O Horóscopo

Thaise sempre acreditou em astrologia. Procurava informações com estudiosos da área, lia sobre o assunto e seguia tudo que era mandado.
Colocou o H no nome, porque uma astróloga falou que lhe traria mais sorte.
Thaise também era muito ligada em moda. Soube que na loja da esquina lançaram um vestido exclusivo e foi correndo comprar.
Quando chegou à loja, Thaise adorou o vestido. O que a incomodou foi apenas um detalhe.
-Amarelo? Não pode ser!- Falou com a voz engasgada.
-Moço, será que não tem de outra cor?- Perguntou ao vendedor, com um olhar de esperança.
-Tem não, senhora.
-Mas eu o queria em tom azul
-Por que a senhora não leva assim mesmo? Amarelo cai bem na senhora. Vai ficar lindo!
-Acontece que sou do signo de Libra. Ele hoje, o meu signo, está buscando liberdade e energia nas forças celestiais. O mais interessante é que meu ascendente é Peixes. Aí moço, acontece que hoje, tenho que usar azul. Amarelo tem nada a ver!
-Bom, então. Eu só lamento. O vestido ia ficar lindo. Mas por que a senhora não compra pra usar outro dia?
- Porque não sei quando vou poder. O rosa, por exemplo, há duas semanas que não uso. Agradeço de qualquer forma.
Thaise saiu da loja, triste e inconsolada. Dois dias depois, leu na internet que a cor do dia para seu signo era amarela. Não deu um minuto para que fosse correndo comprar o vestido.
-Moço, vou comprar o vestido!
-Sinto muito, mas já foi vendido.
-Como assim, ele foi vendido?
-Isso mesmo, assim que a senhora saiu, uma moça o comprou. Mas agora, eu tenho um vestidinho azul muito lindo!
-Obrigada, mas não quero. Hoje é dia de amarelo.

domingo, novembro 14, 2010

Quase um paradoxo

    Não serei escrava das letras.
    Não estarei presa numa cela imaginária.

    Pela humanidade, medindo esforços,
    Enfrentando feras.

    Me sinto numa caverna,
    Onde enlouqueço na solidão.

    É isso! Escrever é sair de si.
    É ultrapassar o universo.

Meu querido Gasparzinho

A poesia que encontro na tua alma
Só nela me conforto
Dizeres e maldizeres não me atingem
O que me encanta é saber que você me entende
O único mal é você não estar aqui, presente.

Não sei

Falar sobre o nada me permite ser feliz. Cometer erros e excessos faz parte do meu show.
Não pretendo e nem quero escrever o que é certo e certo. Não sigo padrões. Não quero usar palavras bonitas. Não escrevo pensando se alguém vai me julgar. Pois que julguem!